Lidando com a ansiedade (Parte 3)

Os nossos posts sobre a Ansiedade finalmente chegaram na Parte 3, aquela eu tinha prometido compartilhar com vocês os depoimentos anônimos de pessoas que conviveram e/ou ainda convivem com este transtorno.

Tive uma resposta bastante positiva de muitos leitores que estão realmente interessados em ouvir histórias com as quais eles possam se identificar e, até mesmo, descobrir novas formas de lidar com a ansiedade.

Vamos então aos depoimentos. Gostaria de afirmar que o Nana News não é responsável pelo conteúdo dos depoimentos. Tais depoimentos foram reproduzidos na íntegra, sem cortes e os autores contribuíram de livre e espontânea vontade.

Estão prontos para saber como outras pessoas estão convivendo com a ansiedade? Esperamos que você se identifique com algumas delas e, se quiser desabafar também, conte-nos sua história aqui sem se preocupar com a divulgação da sua identidade. O formulário é 100% anônimo.

Primeiro depoimento:

“A minha começou com a morte do meu pai há mais de dez anos. Sofri muito, mas calada, pois tinha que ser forte perante a aparente fragilidade da minha mãe. Além dos sintomas de enfarto constantes que vinham do nada e me levaram várias vezes ao hospital, não conseguia mais dirigir e sair de casa, e isso tornou-se um martírio. Eu só queria ficar dentro de uma concha me protegendo dos meus próprios medos e sem vontade nenhuma de viver. Como se isso não bastasse, também tenho fibromialgia. Até hoje ainda tenho resquícios desses problemas. Não dirijo, perdi minha independência e as dores pelo corpo continuam. Mas mesmo assim, uma coisa mudou para melhor: apreendi a conhecer e entender meus sentimentos, apreendi a conviver comigo mesma e apreendi que preciso dominar meu pânico para poder ter domínio da minha própria vida. Ainda sofro calada, pois as pessoas não entendem esse processo e acham tudo isso uma grande frescura. Não tomei e nem tomo nenhuma medicação para isso, a minha única medicação é cercar-me de luz e das energias que acredito.” S.B.N.

Segundo depoimento:

Em 2012 fui diagnosticado com síndrome do pânico, um dos vários problemas que a ansiedade pode causar. Tudo começou com uma leve tontura, que semanas depois ficaram mais intensas acompanhadas de tremores, suor frio, coração acelerado, sensação que iria desmaiar (essa pra mim é a pior), medo de ir a locais com muitas pessoas, como cinema, shopping, etc. Evitei e ainda evito ir à esses lugares. Um detalhe, tenho um problema cardíaco e já fiz duas cirurgias, e infelizmente os sintomas dessa síndrome são bem parecidos com os que eu teria caso tivesse uma piora em relação ao meu problema. Surtei pensando que fosse morrer, fui ao médico várias vezes e os exames nunca apontaram nenhum problema. Eu só pensava: “como assim não tenho nada?! Estou sentindo tudo isso, deve ter algum engano.” O engano era meu de, na época, não aceitar essa síndrome, pois uma prima minha já tinha me falado que poderia ser esse o meu problema. Depois de quase um ano sofrendo com esses sintomas cada vez mais frequentes, resolvi marcar uma consulta com uma psicóloga. No início achava meio estranho, pois pensava que psicólogos e psiquiatras só tratavam pessoas com problemas mentais. Por mais ou menos uns 4 meses mais tentei, sem sucesso, melhorar sem medicação. Até que um dia, tive uma crise muito forte e cansei. Marquei uma consulta com um psiquiatra. Nessa época já tinha tentado melhorar com maracujina, remédios homeopáticos, etc. No início até que faziam efeito, principalmente para que eu pudesse ter uma boa noite de sono, mas depois acho que meu organismo ficou acostumado e todos os sintomas apareciam novamente. Já na consulta com o psiquiatra, ele fez eu assistir um vídeo que mostrava tudo que eu sentia, fiquei aliviado naquele momento tendo consciência e aceitando que o meu problema era aquele. A partir daquele momento, eu tive enfrentar os efeitos da medicação, que no início não foram nada interessantes. Passei muito mal nos 20 primeiros dias. Os sintomas pareciam que tinham ficado mais fortes, era insuportável. Tive que trocar de remédio umas 3 vezes até me adaptar com o Reconter. Até passei a comprar os genéricos, que me deixavam bem. Resumindo a história, até hoje faço psicoterapia com a mesma psicóloga, e não abro mão. Durante uns 2 meses fiz acupuntura, que me ajudou também. Será que eu melhorei?! Não, porque esse problema com ansiedade é mais complexo do que imaginamos, e bem mais difícil de lidar. O remédio ajuda sim, mas apenas em relação aos sintomas. O restante é com a gente. Temos que saber nos controlar, ter força de vontade e isso não é uma tarefa tão simples quando estamos no meio de uma crise. Mas, com o tempo, vamos aprendendo a contornar a situação. Uma ajuda grande também é o apoio da família e amigos, isso sim é essencial. E não se preocupe caso tenha que deixar de fazer as atividades que sempre gostou de fazer. Quando estiver melhor, tudo voltará ao normal. Espero que essa minha experiência (nada agradável) possa ajudar alguém, mostrando que não ninguém está sozinho nessa luta contra a ansiedade.” G.F.B.M

Terceiro depoimento:

“Um dia estava em casa e tranquila quando de repente comecei a suar frio e chorar muito, sentia como se estivesse recebido uma noticia horrível. Percebi que comecei a ficar muito ansiosa e nervosa, procurei ajuda psicológica e já faz dois anos que estou nessa. A terapia me ajudou muito, consegui entender algumas coisas, mas não tudo (claro). Sei que tenho muito o que trabalhar ainda. Minha psicóloga ensina algumas técnicas, como por exemplo o que pensar na hora, o motivo dos pensamentos e como ser racional e refletir com calma para ver se existe realmente algum perigo, respirar fundo. Isso tem funcionado comigo, assim como também outras tecnicas. Está sendo um longo processo, mas acredito que com o tempo vou melhorar. Não uso medicamento nenhum ainda. No meu caso, eu acredito que tudo isso começou depois do nascimento dos meus filhos. A correria do dia a dia, cuidados com as crianças e fato de eu ter perdido 4 pessoas da minha familia para o câncer. Isso também me deixou muito assustada. Com fé em Deus, orações e com minha psicologa acredito que vou conseguir.” A.I.M.

E aí? O que você achou? Conseguiu se identificar com alguma história? Em nosso próximo post, falarei sobre a minha relação com a ansiedade durnate o período desde o nosso primeiro post sobre o tema (lá na primeira metade de 2016), até os dias atuais. Muita coisa mudou, e para melhor. Fiquem ligados no próximo post aqui no Nana News!

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