Ansiedade – como tudo começou (Parte 1)

Eu tinha uma vida bastante agitada em Sao Paulo. Trabalhava das 8 às 18 (ou algumas vezes até sei lá que horas), tinha uma vida social bastante intensa. Barzinho com os amigos, encontros, cursos, almoços, etc. Até que um dia (em 2009) o destino fez com que eu me casasse com um americano e me mudasse para os EUA. Bem, digamos que eu mudei de uma cidade de 22 milhões de habitantes para outra de apenas…100 mil. Outro país, outro idioma, outras pessoas, outra família, sem amigos, sem trabalho. De repente aquela vida agitada se transformou em algo pacato, calmo, tranquilo.

Sim, a qualidade de vida é incomparável, mas confesso que foi um baque para mim passar por tudo isso. Ter que fazer amigos que não possuem a mesma cultura que você, se adaptar ao estilo de vida (bem diferente) dos americanos e, como se não bastasse tudo isso, redescobrir-se profissionalmente e pensar: vou trabalhar em que? Com o que?

Eu sempre fui uma pessoa 100% adaptável a qualquer tipo de situação e estilo de vida. Sempre gostei de novidade. O novo dava sentido para a minha vida. Marasmo e acomodação nunca fizeram meu estilo. Passei por tudo isso, superei, conquistei minha vida profissional, até que em novembro de 2011 vi meu mundo desabar.

Era uma noite como outra qualquer. Lá estava eu, assistindo televisão, quando de repente senti um arrepio que nunca havia sentido antes. Minhas mãos começaram a suar, comecei a sentir náuseas, vontade de deitar e muito frio. Eu tremia mais do que uma pessoa de biquini no meio de uma nevasca (sem exageros, pessoal). Não conseguia controlar minhas pernas e braços de tanto tremor. Em seguida veio aquela sensação: estou morrendo… pensei nisso quase que instantaneamente. Chamei meu marido e implorei para que ele me levasse ao pronto-socorro (pronto-socorro aqui nos EUA custa os olhos da cara e eu naquela época não tinha convênio médico). Meu marido tentou me acalmar e eu só conseguia ficar lá tremendo e pensando no pior. Depois de umas duas horas, da mesma forma que vieram, os sintomas foram embora. Mas as marcas dessa experiência ficaram para sempre em minha mente.

Após mais alguns incidentes como estes em menos de um mês, eu finalmente decidi procurar ajuda. Não sabia o que estava acontecendo. Para mim aquilo tudo era doença, deveria haver algo de errado comigo (fisicamente). Contei tudo para o médico, que já de imediato me disse que se tratava de transtorno de ansiedade. Eu não quis acreditar. Ansiedade de quê? Por quê? Sou casada, moro em um lugar legal, sou feliz, não tenho motivos…  Pedi uma bateria de exames, pois havia mesmo algo de errado comigo. Fiquei pasma com o resultado: nada foi encontrado. “Você está fisicamente saudável, Nadja”. Para não dizer que não deu nada mesmo, o médico acabou me receitando vitamina D, pois onde moro não há tanta abundância de dias ensolarados como no Brasil, e isso interfere na vitamina D do corpo.

Fato é que eu finalmente acreditei que meu problema era psicológico, e comecei a ver alternativas para lidar com isso. Foi assim que descobri meu transtorno de ansiedade. E você? Como soube que estava sofrendo deste transtorno? Compartilhe conosco sua história, desabafe, sinta-se acolhido(a) por todos nós aqui. Você não está sozinho(a). Criamos um formulário 100% anônimo para isso, basta clicar aqui e contar a sua história. O formulário estará disponível até o dia 2 de junho de 2o16. Os depoimentos serão compartilhados anonimamente em outro post aqui no blog!

No próximo post, falarei sobre as alternativas de tratamento, como pedi ajuda, como comecei a lidar com o transtorno e a me sentir melhor. Fiquem ligados no Nana News!!

*** Este post faz parte da série “Lidando com a ansiedade”. Saiba mais aqui.

 

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